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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Compreensão


Eu tive a ideia de fazer esse post vendo animes japoneses. Muitos animes tem como tematica os "humanos entenderem uns aos outros". É geralmente abordado de maneira superficial, frases soltas. Mas ainda assim, me assinalou um tema.
Outra coisa que me levou a este tema foram as pessoas à minha volta, o que elas dizem. Por exemplo, críticas que se vê por aí contra pessoas adeptas do modificações corporais, transformar o próprio corpo permanentemente através de tatuagens e piercings.
Eu não acho que as pessoas tem de verdade que se entender, mas eu pessoalmente não sei de onde vem essa má vontade para com o outro. Nem se tenta explicar. Mais do que isso, não há identificação. Não há empatia. Não há o ato de procurar em si um motivo que levaria você a tomar a atitude que aquela outra pessoa está tomando. Ou ainda julgar que uma pessoa está fazendo uma coisa errada, mas sem conhecimento de causa. Mesmo que ela esteja fazendo algo errado, há que se ver os atenuantes, as coisas que a levaram àquilo. A história toda. A versão dela inclusa. A verdade não é um lado de uma coisa, mas sim a união de todos os lados possíveis daquela coisa. Ênfase, porém, em possíveis. Mas a possibilidade não tem sido levada a sério hoje em dia, as pessoas mergulham em crenças superficiais que explicam tudo. É muita preguiça. Preguiça de pensar por si só.

Voltando às pessoas da modificação corporal, pra montar um exemplo forte. Nós, como pessoas, demonstramos nossas personalidades de várias maneiras. Demonstrar quem somos é mais importante para umas pessoas do que para outras, mas todo mundo o faz. Na maneira de falar, agir, se vestir. As pessoas fazem as coisas de acordo com o que elas acham bonito, legal, bacana, legítimo, útil e/ou prático. E tudo isso tem a ver com o que ela é. Algumas pessoas mudam a si mesmas, pelo mesmo motivo. As mulheres se maqueiam e mudam os cabelos de acordo com o que é bonito. Geralmente de acordo com o que é bonito socialmente. Culturalmente. Os homens também cortam o cabelo e fazem a barba. Essas coisas são puramente culturais, uma aparência que é costume. E algumas pessoas se tatoam inteiras por que essa é a maneira delas exercerem o seu próprio ego, o "ser". De acordo com o que elas creem ser bonito, e corajosamente a despeito das 'normas sociais'.
O mesmo preconceito se vê com todas as pessoas que quebram a regra social, que na verdade não é regra, e sim costume e praticidade. Mas talvez a norma não sinta legítima para algumas pessoas seguirem. Uma mulher máscula, um homem afeminado. Por que 'fere' a ideia puramente cultural do que é um homem ou uma mulher. E de como devem agir e se vestir. Mas só que até mesmo se vestir é um ato cultural. Transformado em lei, mas inicialmente apenas cultural. Coisas desnecessárias, mas extremamente necessárias para outrem.
E é tão difícil assim compreender que o que é extremamente importante para um (ou pra você) é fútil para outro. E vice-versa. O que é muito fútil pra um (ou pra você) é muito importante para outra pessoa. E essa é a base para as nossas diferenças e, creio eu, a chave da compreensão. Entender que da mesma forma que a outra pessoa é diferente de você, você também é diferente. E não há motivo para crença de que seu jeito é mais legítimo do que o de outrem. Ou que o outro é diferente de você em algo fundamental que torna isso errado.
Simplificando de maneira que eu não deveria: você acha muito importante mirar em ser o melhor, outra pessoa acha isso supérfluo e só quer viver. Ambos os lados são válidos. E isso foi um exemplo, claro.
Mesmo uma pessoa que deve ser presa, uma pessoa que comete atos terríveis. Mesmo alguém assim poderia ser compreendido. Não exatamente compreendido. Eu não acredito que as pessoas sejam capazes de entender, por que pra isso precisaríamos de uma capacidade mental que como humanos não temos. Para pensar em todos os motivos que podem levar as pessoas a seus atos. Mais que isso, um conhecimento de causa que é impossível termos, por que não estamos dentro dos outros para saber o que eles sentem e/ou conhecer a vida deles completa. No máximo podemos imaginar às vezes o que as pessoas sentem, o que as levou a algo. Geralmente quando já sentimos algo parecido, quando nos identificamos.
O que eu miro não é a compreensão. É algo mais básico e que me surpreende muito que não tenhamos, ou que grande parte de nós não tenha. Que é o entendimento de que todos somos diferentes e tudo bem. Que o outro é mesmo diferente, mas da mesma maneira que nós também somos diferentes.
E não que a gente também seja ou fosse capaz de fazer algo que outra pessoa faz. Mas que da mesma maneira que aquela pessoa age de maneiras que nós não agimos, nós também agimos diferente do que aquela (ou outra) pessoa age. E fazemos coisas que alguma outra pessoa jamais faria. E é difícil senão impossível saber o quê leva ao quê. Até por que geralmente não se estabelece uma simples relação de causa e conseqüência.

É pernicioso que julguemos os outros com as mesmas tintas de que somos feitos. Que tentemos nos ver nos outros, e julgá-los por elementos que não sejam imparciais e valores que são nossos. Que não sejam racionais e não pode ser julgados por todos por fatos. Fatos, que são coisas sólidas, que podem ser provadas. Julgar por preceitos morais baseados em ensimesmismo e não pensamento. E mesmo que aquela pessoa possa fazer atos que para nós possam ser incompreensíveis, e a gente não pode nem começar a entender... podemos também fazer algo que para alguém tem as mesmas características de impossibilidade de compreensão.

Por que somos diferentes.

EXTRA - Compreensão Extra
O que é ser gay

Há muitos enganos que as pessoas fazem quando pensam em nós. Mesmo quem nos respeita comete esses enganos. Seríamos alienígenas se fôssemos como pensam. Mas é comum, já que os gays sempre foram um aparte da sociedade. Só há pouco, historicamente falando, passaram a ser classificados os tipos de orientação sexual. A evolução da sexualidade se deu por muito tempo de maneira natural, sem que se pensasse muito nisso. E o pensamento sexual foi moldado pela cultura. A cultura se baseou em famílias, então não tinha como sexo homossexual não ser mantido separado da normativa. Por isso, antes não existia muito a idéia de amor entre duas pessoas do mesmo sexo. Não existiam relacionamento, apenas relações. Não era como hoje em dia. Passamos a estudar ativamente a sexualidade, entendê-la até certo ponto, e depois classificá-la. Então ser homossexual não pôde mais ser mantido dividido do que é considerado normal, uma vez que se viu que é um fator legítimo. A orientação sexual, ou seja, para que "lado" está orientada (ou "apontada", mirada) a sexualidade de alguém, é algo perfeitamente normal.

Assunto introduzido, vamos a uma desmistificação dos erros comuns.
  • Ao contrário do que nossa sociedade centrada no pênis, não só é gay aquele que dá o c*, o que faz as vezes de ativo também pode ser considerado gay ou bissexual. Nossa sociedade machista não suporta ver o homem fazendo "papel de mulher", por que é um papel inferior, ser mulher é inferior. Essa é a visão, pelo menos. Por isso para um homem ser "pegador" tudo bem, mas para uma mulher não. Nossa sociedade se centra no órgão sexual masculino, não há dúvidas disso, ele é respeitado e usá-lo muito é sinal de honra. #AbsurdoMasVerdadeiro Até mesmo entre os gays, é uma sociedade às vezes muito pautada no "pênismo".
  • Ser gay não é só fazer atos gays. Ser gay significa ter desejo sexual por outro homem. Você pode até nunca realizar esse desejo, mas se você tem esse desejo, você é gay. Por isso é impossível saber com certeza se outra pessoa é gay, bi ou heterossexual. Você só saberia isso se vivesse dentro dela, por que você não sabe o que ela está sentindo. Julgar uma pessoa pelos seus atos não vale. Uma pessoa pode ser afeminada e ser hetero e vice-versa.
  • Uma experiência não faz uma pessoa gay. Todo mundo passa por uma fase de descoberta. Alguns passam por ela de maneira 'normal', mas algumas pessoas testam os 'dois lados da moeda'. Mesmo alguém que já passou desse ponto pode ter curiosidade. O que indica se alguém é gay ou não é a preferência dessa pessoa. Existem muitos graus entre o gay convicto e o hetero convicto. Mais abaixo.
  • Bissexuais existem. O bissexualismo não é só uma fase entre um extremo e outro. Um bissexual tem desejo sexual tanto por homens quanto por mulheres. Mas pode ter mais desejo por um do que por outro.
  • Gay consegue ficar com mulher, sexualmente. Não todos os gays, por que as pessoas são diferentes, mesmo dentro de seus grupos. Alguns gays tem a capacidade de ter ereção e prazer com mulheres. Talvez sejam bissexuais. Não é uma regra. É que alguns tem a psique tão abalada pela crença de que ser gay é errado, tem tantas força de vontade de serem heteros, que conseguem. Mas isso não é ser feliz.
  • Ser gay não é se apaixonar por homens. A paixão é uma coisa completamente subjetiva. Ser gay é ter desejo sexual por homens. De beijar e fazer sexo, de tocar e sentir. O amor é correlacionado a isso.
  • Gays estereotipados são um fato. As pessoas agem como se os gays afeminados fossem 'ainda piores' do que os gays 'machinhos'. Mas o fato é que, por algum motivo, essas pessoas são desse jeito. Não são assim por que querem nem deixam de ser assim indolentemente. Todo mundo é de um jeito. Ninguém deveria ser obrigado a agir diferentemente de si mesmo.
Obs.: Apesar disso tudo que eu disse, essas são as regras. Mas eu acredito em exceções. Eu acredito mesmo que todo mundo seja diferente, mais do que todo mundo imagina. Apesar de todo mundo ser igual em algumas coisas. Todo mundo tem sentimentos, por mais que algumas pessoas não demonstrem. Todo mundo tem instintos de sobrevivência e sexual. Tirando isso, as pessoas são diferentes. Eu não duvido de que alguns gays possam totalmente deixar de ser gays. Não todos. Alguns. Mas também não tenho certeza de que isso seja possível.

Eu também acho totalmente ridículo quando um heterossexual afirma para um homossexual que ele não é gay, por que ela não acredita na existência de gays, quando é um indício muito grande de que gays existem a quantidade de pessoas que se dizem gays. É impossível provar a existência de gays, do mesmo jeito que é impossível provar a existência de heterossexuais. Só poderíamos dizer algo sobre outra pessoa com certeza se tivéssemos alguma maneira de sentir o que ela sente, vivenciar a existência dela. Não temos. Por isso, da mesma maneira que não temos como saber se uma pessoa gosta de nós ou se está mentindo, fingindo ou qualquer coisa assim, não temos como saber qualquer outra coisa sobre ela. Só uma pessoa sabe sobre si mesma. É extremamente arrogante e condescendente uma pessoa dizer que sabe mais sobre outra do que ela mesma. E também é uma mentira.

2 comentários:

  1. Essa, meu caro, é a beleza da alteridade. Se todos pensassem, e agissem, seguindo esse pressuposto, muito da dor já teria minguado.

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  2. Comentário sobre o apêndice. Não o seu, nem o meu, mas o da postagem. (sim, isso foi uma piada).
    Concordo em gênero, número e grau com o que vc disse, seu geniozinho. Rs. (sim, "inho"). Eu mesmo já fui preconceituoso, ao dizer por aí, que não acreditava na bissexualidade. Claro, que o "pensamento fálico" estava turvando minha visão. Hj em dia penso diferente. E percebo, claramente, que os passivos são inferiorizados, em relação aos ativos, mesmo no mundo gay. O que eu acho, extremamente ridículo. É machismo e preconceito, dentro de um grupo de pessoas que já sofre muito com isso... porra! Que contradição...
    Ademais, acho estereótipo ridículos. Já conheci ativos que pra serem mulheres, só falta a vagina, de tão afeminados... e machinhos que adoram peidar numa jibóia, enfim... Achei muito válido seu texto, parabéns.

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