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segunda-feira, 18 de junho de 2012

O Sistema

Nossas sociedades não são sustentáveis. E isso tem muitas implicações.

Nós estamos presos em um sistema criado por nossos antepassados e modificado durante muitos e muitos anos, de modo que ninguém, nem mesmo as pessoas que criaram os nossos sistemas (políticos, econômicos, legais) conseguiria ter muito controle sobre ele. Isso acaba sendo bom, por que o poder também acaba sendo dividido, apesar de que muitas pessoas tem poder demais, então o propósito pra tanta divisão de poder não está sendo alcançado. Os sistemas são feitos complexos para permitirem que sejam necessárias várias pessoas, pra que uma pessoa só não tenha controle sobre todo um processo. Isso permite que uma vigilância maior seja feita, já que assim seria necessário um grupo para haver corrupção e se houver um elo honesto a corrupção cai, portanto quanto mais gente, mais elos na corrente, melhor para o funcionalismo público. Isso é uma das coisas que, primeiramente, não anda funcionando, por causa dos cargos de poder, que acabam por permitir coerção. E coerção só existe por que há uma relação clara de poder entre um cargo e outro. Mas coerção não existiria sem corrupção. Uma maneira de diminuir os corruptos, em minha opinião, é diminuir os ganhos que alguém tem em exercer um cargo, sendo o principal deles o ganho salarial. Assim as pessoas não entrariam em política, por exemplo, pelas vantagens, mas sim por ter o que fazer lá. Isso é básico.

Eu devo estar sendo inocente, mas eu não entendo por que tem que haver uma pessoa pra juntar tudo. O por que da necessidade de um presidente, um prefeito e um governador. Acho que, nisso, sou um pouco ou totalmente anarquista. Eu entendo a necessidade de ter pessoas para representar o povo, por que se fosse feita uma votação com toda a população em cada pequeno assunto há ser decidido, o tempo necessário faria com que praticamente nada nunca fosse decidido rapidamente. Mas não acredito nesse sistema super complexo. O não-entendimento de como a coisa funciona acaba fazendo com que o voto seja algo sem função. É como escolher às cegas uma roupa, não é escolha, é completamente aleatório. Simplificação seria a maneira de dar arbítrio real a alguém. Transparência ao sistema. E diminuiria, também, a burocracia, fazendo com que as coisas andassem mais rápido. Eu entendo que isso é muito mais complicado do que parece, já que os sistemas que criamos conectaram o mundo todo econômico-politicamente, mas por isso digo que estamos presos ao sistema, incapazes de mudar algo significativo nele.

A única parte que não é nenhum pouco nociva desse sistema, e eu acredito que seja completamente necessária, é a lei. Essa eu não vejo como pode ser simplificada, já que tem que prever quase todos os atos que um ser humano pode fazer, sem ser exaustiva a ponto de ser inutilizável. Não dá pra falar de todos os atos, portanto a lei não é perfeita, ela é uma simplificação. E é necessária por que vivemos em sociedade e precisamos nos assegurar de que uma pessoa não pode fazer tudo o que ela quiser, já que algumas pessoas vão efetivamente fazer tudo o que quiserem.

E por que esse texto todo? Para chegar a um ponto. Um ponto no qual eu não tinha pensado até agora, mas como sempre que penso que algo é muito importante, eu decido divulgar aqui no blog, eu decidi fazer um texto para mostrar esse ponto. Exatamente por que eu não tinha pensado nisso até agora, eu imagino que hajam outras pessoas na mesma situação e quero levá-las agora ao mesmo insight que eu tive. Vamos lá.
Existem pessoas muito muito muito ricas, vivendo vidas luxuosas e de pura esbanjação. E também existem pessoas muito pobres, tão pobres que não tem o que comer, ou pior, tão pobres que não têm água. A desigualdade social é uma das coisas mais assustadoras do mundo. O meu ponto é que agora eu me tornei contra essas vidas de desperdício dos ricaços. Não por que eu ache uma vergonha “uns esbanjarem tanto enquanto outros não tem nada”, não. Simplesmente por que o mundo não pode, não tem recursos suficientes para que todas as pessoas que nele vivem, vivenciem essa vida luxuosa. E ela não é necessária, dá pra viver muito muito MUITO bem sem ir tão longe no luxo quanto certas pessoas vão. Mas se todas as pessoas do mundo fizerem isso, logo a seguir os recursos do planeta vão acabar. Então se não é possível que todos tenham, ninguém deveria ter. As pessoas muito ricas poderiam ser apenas ricas e o dinheiro que elas tem iria para os pobres serem menos pobres. Eu falei tanto do sistema, por que o sistema é feito para não permitir igualdade social. Só quando o Brasil for um país muito mais rico, daqui a alguns anos, por exemplo, que a igualdade social vai aumentar. Ou seja, a qualidade de vida das pessoas está atrelada ao conceito abstrato, criado e inútil do nacionalismo. Digo, inútil como toda tradição: tem seu valor, mas não passa de mera ilusão para ajudar a vida humana ser menos sem-graça. O sistema faz com que todas as pessoas do mundo não possam ter uma vida boa; e ao invés disso algumas pessoas terem uma vida estupenda e outras terem uma vida medíocre (com alguns entremeios).

Outro ponto interessante da sustentabilidade no sistema é que ela não é mais aplicada pelo quanto ela custa. Ou seja, a destruição do planeta e da possibilidade de vida na Terra é menos importante do que dinheiro. Só por que painéis solares, energia eólica, essas coisas são mais caras do que destruir o planeta. E isso é assim por causa do jeito que o sistema é. E quando eu falo de sistema estou englobando todos os sistemas importantes que mantém o que chamamos de sociedade: economia, política, leis, corporativismo, religião, etc. Esses sistemas são entrelaçados até certo ponto. Esses sistemas são importantes, por que não sabemos nos livrar deles, então precisamos deles. Claro, ao longo dos anos eles já foram muito aprimorados, a experiência com eles fez com que eles fossem sendo concertados, para se adequarem à evolução humana e ao ineditismo que às vezes acontece. Isso não faz deles perfeitos, apenas melhores. Talvez seja o melhor que temos nos modelos que temos, já que mudar o cerne disso seria mudar o mundo e não parece possível, por que a sociedade como a conhecemos está tão enraizada em nós. Somos criados desde que nascemos nela, então não a questionamos.

Se eu tivesse o poder de fazer algo para mudar mundo, eu faria com que todas as pessoas do mundo votassem nulo de uma vez só, para dar um aviso de que não aceitamos as coisas como elas estão, mas isso não é possível. As pessoas ricas e poderosas, os donos de bancos por exemplo, não olham pra baixo. Eles não poderiam, nem se quisessem, ver nada além do que está próximo deles. Só se importam em enriquecer cada vez mais, por que tem medo de que possam vir a perder o nível de vida exorbitante que tem. Claro, há o assistencialismo, mas ele é parte do sistema. Ajudar os pobres não faz com que eles mudem de vida, é tapar o sol com a peneira. A única solução é a diminuição ou o fim da desigualdade social.

Outras maneiras em que o sistema se põe entre a dignidade humana e si, é no que diz respeito às mazelas sociais. Saneamento básico, segurança, combate às drogas e ao crime… essas coisas custam dinheiro. Dinheiro é parte do sistema, talvez o principal dele. Sem dinheiro nada é feito, mas dinheiro não deveria ser mais importante do que necessidade. E mais, é esse sistema que não permite que nada seja feito contra as barbaridades que acontecem no Oriente Médio e na África. A própria existência de força letal é algo que poderia ser desnecessário. Com certeza as armas letais já foram importantes, quando eram a única coisa que poderia garantir a manutenção da lei. Mas a tecnologia evoluiu e armas não-letais como o taser e certos gases surgiram. Se todo o mundo largasse as armas-de-fogo, ogivas, mísseis, etc... seria uma coisa maravilhosa. E a produção dessas coisas fosse proibida, e todas as que fossem encontradas fossem destruídas... com o tempo essas coisas acabariam. Isso só seria possível se o mundo todo tomasse essa medida ao mesmo tempo. Mas o mundo não é uma unidade, o sistema não permite isso, o sistema faz com que todos desconfiem de todos.

Claro, eu me pergunto se há recursos suficientes no planeta pra que todos vivam bem. Eu imagino que sim, mas não dá pra saber, por que nunca foi tentado algo assim.

O sistema nos agregou em grupos. Os ricos, os pobres, os mega-ricos… . Enquanto que, na verdade, somos todos iguais. Absolutamente iguais. A desigualdade cria, em parte, as mazelas. Pessoas que vivem passando necessidade, acabam tendo que recorrer ao crime para poderem viver, já que o crime dá a elas uma vida mais digna do que teriam se vivessem uma vida honesta e nunca chegariam a ter uma vida boa. O capitalismo é um sistema social que prega a capacidade de todos de chegar a qualquer lugar. Infelizmente as coisas não funcionam assim. Provavelmente nenhum sistema financeiro funciona assim. Eu até acho que o sistema financeiro é útil, é um sistema de organização funcional, e o controle sobre as moedas é algo importante para sua existência, mas eu não acredito em nada privado. Breve voltarei a isso. Mas voltando ao assunto, somos todos iguais, mas a desigualdade social cria segregação. Enquanto podíamos todos juntos estar decidindo exatamente pra onde vai todo o dinheiro, pra onde vão todos os recursos, como os seres iguais que somos.

Por isso que sou contra muitas das coisas privadas. As coisas estatais são as coisas de que temos controle, por que elas são nossas, regida por aqueles que nos representam. Eu não entendo a existência de bancos privados, de escolas privadas. Inclusive eu acho que as empresas deveriam ser todas estatais, assim o dinheiro gerado por elas seriam todo da população. Claro, a não-existência de nada privado poderia facilitar a insurgência de totalitarismo, já que o Estado teria controle virtual sobre tudo. Mas isso não teria problema se o estado fosse, verdadeiramente, o povo. E só seria o povo se fossem como nós, claro, recebendo salários como nós e não uma quantia gigantesca. E com uma fiscalização maior, mais divisão ainda do processo em cargos, assim criando empregos. Esses novos cargos seriam possíveis por que o salário de uns diminuiria e assim novos empregos com o dinheiro restante poderiam ser criados, dificultando ainda mais a corrupção. Mas para isso a impunidade tem que acabar ou diminuir drasticamente e para isso, no Brasil, uma mudança na lei é necessária. Acabar com a imunidade parlamentar. Eu entendo que talvez isso fizesse com que os políticos passassem a armas uns para os outros, para incriminar e favorecer seu partido. Por isso que eu sou contra o excesso de partidos políticos, é complicado, desnecessariamente complicado, e faz até mesmo com que não seja nosso candidato favorito que ganhe as eleições. É um dos pontos que favorecem a aleatoriedade da eletividade. Quando seria muitíssimo melhor um sistema político baseado em concorrência simples, básica, clara e direta, definindo assim o povo, diretamente, seus representantes. Claro, algum partido é necessário para garantir a pluralidade de ideologias, mas excesso de partidos e coligações partidárias e facilidade de criação de ambas as coisas só gera mais complexidade, com mais lados escondidos que faz com que nossa democracia seja apenas ilusória, escolha de mentirinha, manipulada por jogadas envolvendo coligações, imagem pública e dinheiro/exposição. Por isso é preciso simplificar e também informar, por que só escolha informada é escolha de verdade.

As pessoas ricas acreditam que "alguém tem que ser rico e famoso". Eu também acredito que há lugar pra todo mundo no mundo. Não por motivos mitológico-ideológicos, mas por uma questão de racionalização. A  evolução 'prega' que todos os seres vivos evoluíram de acordo com as necessidades do grupo então todas as características que um ser humano podem ter hoje foram necessários em algum momento. E nada que não o fosse sobreviveria. Mas isso não se conecta muito ao assunto. O que se conecta é que agora eu acredito que não há lugar no mundo para um exagero muito grande no sentido de luxo.

Esse foi um texto puramente reflexivo. Mas me leva a alguns pontos que claramente podem ser feitos: conscientização das pessoas que vivem em desperdício, redução/fim da impunidade, redução dos salários dos políticos.
Desculpem pelo texto enorme!

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