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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

A Sociedade Como Meio de Manutenção do Status Quo


Eu já fiz uma postagem sobre como o exemplo é importante. Tudo que nós aprendemos é observando os outros: andar, falar... É um hábito adquirido ao qual sempre, inconscientemente, recorremos.
Posto isso, eu notei um fato interessante. O título do post, que a cultura se autopreserva. Nós, por exemplo, tratamos as mulheres de um determinado jeito. Por tratamos elas desse jeito, esse é o exemplo que damos. Dando esse exemplo, perpetuamos o jeito. As pessoas se influenciam. Obviamente, principalmente as crianças.
É por isso que mudar algo inerente à sociedade é tão difícil. Ao mesmo tempo, bons exemplos tem mais força do que as pessoas parecem acreditar. As pessoas simplesmente desistem de dar exemplo por não verem um resultado imediato nisso.
Talvez realmente uma pessoa isolada não tenha força suficiente para nada. Mas se todas as pessoas pensarem assim, as coisas vão rapidamente desmoronar. Enquanto que se todo mundo pensar em fazer a sua parte, seria muito benéfico.
Mas de fato manifestações, paradas e comunidades tem mais força mais rapidamente, por causa de ter mais visibilidade. O que não tira a validade dos atos de um ser individual.
Através dos nossos atos, palavras e legado, perpetuamos corrupção, crime, violência, intolerância, machismo e várias outras mazelas.
Pra ser mais incisivo, vou fazer o que eu sempre faço, me focar em um exemplo. Dessa vez não vão ser os gays, pra variar. Vai ser o feminismo. Eu já fiz um post relacionado a isso também.
Meninas brincam com bonecas. Meninos brincam com carrinhos. Nisso, as meninas estão sendo "treinadas" pra ser donas-de-casa mães e os meninos para serem provedores machos dominantes. Por que? Simplesmente por que é assim que se tem feito por tanto tempo. Se alguém dizer diferente, isso não vai ser visto com bons olhos. A cultura se mantém automaticamente. Através dos outros, inclusive.
Os sentimentos são incontroláveis. A cultura domina nossos sentimentos as vezes. Eu me sinto feliz por ter nascido numa sociedade em que os valores morais já estão bem mais elevados. Não gostaria de ter vivido nas eras medievais. Mas podíamos ter um salto maior agora, e atingir uma moral ainda mais elevada. Mais uniforme, mais espalhada.
Se você sente que um comportamento é errado, se você sente que algo e errado mais vale a pena mesmo assim, a cultura, o modo como você foi criado tem algo a ver com isso. E, na verdade, suas convicções estão sempre em conflito com as que você vê diariamente pelo mundo. Mas como eu já disse ainda em outro post, podemos sentir algo que não é legal, mas não precisamos agir com isso. Precisamos aprender respeito. Que é aprendido através de exemplo. De criação.
Tantas coisas podem ser mudadas. A moral social ainda está defasada, a maioria das pessoas tem moral elevada, pelo que eu vejo, mas aquelas imorais tem muito poder. Respeitamos muito elas. O que quero dizer por imoral é socialmente defasados, com atitudes irracionais.
Por exemplo, a quantidade de crimes contra mulheres em nossa sociedade atual é reflexo do machismo. Isso é um fato óbvio, mas é também inaceitável. O machismo de criar as mulheres para serem subservientes e os homens sendo "brutos, rústicos e sistemáticos".
E do mesmo modo que a cultura pode fazer a moral geral evoluir, eu temo que também possa causar regressão. Como, por exemplo, na nossa cultura atual de traição e conivência. Todas as músicas falam de pegação sem compromisso, e nada contra, mas também se nota nas letras das músicas atuais um desinteresse pelos sentimentos alheios, uma desumanização do ser humano, que é tratado como um objeto praticamente. É claro que a cultura tende a crescer, uma coisa pequena se torna tendência e se torna cultura. E eu temo que a cultura do futuro aumente cada vez mais sua imoralidade.
A moral, a ética, tem que ser pautados na razão. A mesma razão que coisas como a religião ameaçam. Saber que você tem que tratar bem uma mulher não por que essa é a cultura em que vivemos, mas por que ela é um ser humano como nós. Basear o certo e o errado em fatos, e não no nada que é a sociedade. Eu já disse que a sociedade é uma 'ilusão'.
Mas essa ilusão, além de tudo o que eu disse, tem tendido a perpetuar o não-uso da razão. Não somos imunes à cultura. Eu não sou imune. Mas devemos pautá-la na razão. Pensarmos por nós mesmos.
Eu espero que a humanidade possa ser mais consciente do que tem mantido e perpetuado...
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A famosa experiência com macacos é uma boa adição a esse meu pensamento.
Nela, colocaram três macacos numa jaula que continha, também, um cacho de bananas. Sempre que um macaco tentava alcançar o cacho, os outros dois tinham água gelada pulverizada neles, o que os fazia bater no outro para impedi-lo. Um a um os macacos eram substituídos. No fim, não sobrou nenhum macaco que tenha sido pulverizado, e ainda assim o comportamento de bater no que tentasse alcançar o cacho se perpetuou (sem que eles soubessem o motivo).

Um comentário:

  1. Ótima postagem. De um tema muito bem-vindo. Se todas as pessoas, ou pelo menos a maioria delas pensassem como nós, muito já teria sido mudado. Eu estava conversando sobre isso hoje, a respeito de não mostrarem logo um beijo gay na novel das 9. Tantas cenas de cumplicidade e carinho já foram mostradas, um beijo não seria algo assim tão novo, mas abriria muitas portas, a meu ver. Aí vem a frente conservadora e diz que uma cena de beijo gay chocaria uma criança. E cenas de sexo, assassinato e violência em geral, como sempre acontece, não chocam? Outra coisa. Não é pra ser uma comparação esdrúxula. Se os pais fossem mais tolerantes e esclarecidos, perceberiam que um beijo gay não é um "exemplo ruim" como uma cena de violência, ou coisa do tipo. Bem orientada, uma criança só entenderia, vendo uma cena dessas, das várias possibilidades de amor, que dois homens podem ser felizes juntos, assim como duas mulheres, ou um casal hétero. E que tudo isso pode ser família. Mas como você disse, vivemos em uma sociedade machista e conservadora. E a maioria ainda não quer dar esse BOM EXEMPLO. O de aceitar o amor. Mas que bom que existem pessoas como nós, pra sacudir um pouco o status quo. Tomara que não precisemos nos "rebelar" ainda por muito tempo...

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